Todos Os Ais

são meus

01:02:2012

Este espaço continua aqui.

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25:01:2012

Tenho saudades daquilo que fui um dia. Aquela imagem imperfeita mas cheia de ideias e vontades. Gargalhada sempre pronta a escutar-se. Hoje já pouco me assemelho a essa pessoa. Olhar recaído por entre quem se cruza comigo. Acaso passageiro. Decidido a afastar-se para um outro qualquer lugar que não aqui. E chego a um ponto que nem consigo erguer cabeça para vê-lo ir. Simplesmente sei-o. Conformado de mim. Isso.

14:12:2011

Há datas que ficam. E há momentos que se arrastam sem sabermos quanto. Até nos deixarmos subjugar por eles. E então deixam de ser memórias. E passam a realidades. Realidades estas que quando repetidas vezes sem conta acreditamos como verdades. E não sabemos parar. Nem sequer distinguir o que é uma lembrança de uma existência. E esta. Vê se me entendes. És tu quem a cria. E não passa de um emaranhado de memórias longínquas que nada acrescenta ao que cada uma delas nos trouxe. A ti e a mim. Por isso desiste de viver. As coisas não são assim. E não julgues que me obrigas a acreditar em tudo o que dizes. Porque isso não é a verdade. Essa existe na memória e não naquilo que tu vives. Todos os dias. Sufocada pelo medo de perder o olhar desse homem. Não entendes que assim apenas o estás a cegar. Por toda essa loucura que emanas sempre que mencionas o seu nome. Sempre que ele serve de desculpa para os teus estados odiosos. Ele não é isso. Ele não pode ser isso. Muito menos para ti. Sei que não consigo sempre enfrentar-te. Sei também que to devo. Mas a distorção que vejo diante de mim impede-me de reagir. Tamanha monstruosidade. Essa que falas. E então perco-me das tuas palavras e de ti. E imagino tudo aquilo que aquele homem foi para mim. Refugio-me nele. Serenamente. Como sempre ele soube viver. E depois olho para ti e vejo o caos. E isso deixa-me triste. Absolutamente triste. Hoje é só mais um dia.

15:11:2011

A desilusão que se abate a mim persiste. Por mais que tente fugir dela não consigo evitá-lo. Haverá alguma forma de lhe dar a volta. Já acreditei que sim. Que iria erguer-me e enfrentar este monstro. Sedento de torturas. De mim. Já acreditei em espetar-lhe a faca pelas entranhas adentro. E observá-lo. E ter finalmente a noção que o monstro desapareceu. Desfeito diante de mim. E assim continuaria. A viver. Mas foi tudo. Mais a vez. Um engano. Pois sou eu que tenho a faca espetada no peito. E ele olha-me. Com resignação. E eu compreendo-o. Porque nada mais havia a fazer. Se não puxar a faca um pouco mais. Um pouco mais fundo. E sentir toda a desilusão no seu avanço. Porque o monstro ganhou. E no fim nem quis saber. Nem eu.

27:10:2011

Recuso-me comer. Nem mais um pedaço de carne vou voltar a pegar. E trincar-lhe o sangue. Não quero nada. Nem mais um pedaço de ti.  Roo os dentes. O roçar de uns contra os outros enerva-me cada vez mais. E no entanto não sou capaz de deixá-lo. Sinto-me que não estou realmente aqui. O meu corpo cede. Os dedos não sabem que fazer e a cabeça mal se aguenta pendurada. E escrevo e volto a escrever apagando todos os disparates que ficaram para trás. E que não vão ser lembrados porque eu já não tenho cabeça para pensar neles. Apenas os deixo. Vagabundos de mim. Nem para me saciarem a vontade servem. Apenas momentos que nunca serão lidos. E a carne. Essa. Em mim cada vez mais fraca. E pensamentos surgem cada vez com maior frequência. E sei-os. Bem demais. Um a um vão populando a minha mente. E cada vez mais acredito neles. Que se meter a mão à boca vou conseguir enfiá-la. E sem hesitar entrará o pulso. E o sabor da carne com ele. E é aí que sinto a fome. A apertar todo o meu corpo. Ensopado em arrepios. E então quero. Comer. E empurro todo o braço até ao cotovelo para dentro de mim. E começo a sentir-me cheio. Nada definitivo. Apenas um começo. Uma sensação de alívio. Uma força que se apodera de mim. E tudo faz sentido. Rasgados os lábios prossigo até que o resto do braço até ao ombro force caminho dentro de mim. Pescoço a pulsar. Pressionadas as suas paredes asfixiadas por toda a grossura daquilo que possuo dentro de mim. Não tenho qualquer reflexo. Apenas continuo. Pele a deslizar pelos meus dentes. Alguns soltam-se. Caem para fora de mim e embatem no chão. Consigo ainda ouvir o seu barulho. Desprezível. Outros enrolam-se contra a pele e seguem caminho com toda a restante carne. Que se afunda no meu interior. Cada vez mais escuro. Cada vez mais fechado. E nada. Amplo. Todo ele. E todo eu nele. Rebentado de mim.

16:10:2011

Os amores não se fazem esperar. Ou acontece ou segues em frente. Porque não há corpo que aguente a pressão do querer. E nada pode travá-lo. Nem sequer a maior das uniões. E ou se quer ou não. E há que agir. Dar o corpo àquilo que dizemos. E aguentar. Todas as consequências que impusemos a nós mesmos. E assim. E só assim. Poderemos viver cientes das decisões que tomámos durante a vida. Finita. Sôfrega. Cheia de retalhos que só nós sabemos existirem. E cuidamos deles. Como se fossem tudo aquilo que planeámos. Mas não o são. E habituamo-nos a olhar para eles e a tropeçar nas razões. Aquelas que nos fizeram criá-los. E hoje não temos outro remédio se não embelezá-los e tê-los como nossos. Mas não o são. E continuamos a sorrir-lhes. A passar a mão pelo pescoço para que adormeçam melhor. E eles olham-nos e sabem. Que são nossos. E enchem-se de egos. Inchados por aquilo que sabem nos fazer sentir. Pele repuxada. No limite do rasganço. E por vezes desejo que tudo ceda. Que todos os meus remendos dêem o último remate e me vençam. Dilacerado não tenho mais mão neles. E assim cada um deles regressa ao seu mundo. À sua razão. E afasta-se de mim. E de todos os que os viram como meus. E finalmente poderei ser eu. Mesmo que morto. Serei mais eu que nunca.

04:09:2011

Sempre amei. Entregar-me a uma imagem. Uma ideia. Um valor. É-me natural. Não sei recorrer a outro método de viver. Plenamente. Se não abraçar por inteira essa imagem. Toda minha. Todo dela. E embalo-a com todo o calor do meu corpo. E deixo-a adormecer. Descansada no meu colo. E beijo-a sem ela o notar. E o sonho dela é o meu. Entrelaçados nesses mundos de confusões que nos baralham ao acordar deixamo-nos seguir de mão dada. Pelo menos a mão. Por vezes o corpo todo. E um é outro. E a imagem que vislumbro possui todos os ângulos. Todas as sombras que preciso. E amo-a por isso. E por mais uma lista de não-sei-porquês. Mas é isso que sentido me faz. E não consigo evitá-lo. E já amei muitas imagens. Sombras. Silhuetas. Todas diferentes. Todas com os seus jeitos. Mas nenhuma delas encaixava perfeitamente na pessoa à minha frente. E por isso continuei a amá-las. Mas não às pessoas. E por isso o que quero mais no mundo é que desta vez. Só desta vez. A imagem que amo. E embalo. E beijo. E sonho. Seja realmente da pessoa diante de mim. E sempre que te observo sei-o. Por detrás da imagem estás. E ponto-por-ponto segues-la. Cada traço. Cada curva. Cada melodia. És tu. E não sei já separar a pessoa da imagem. És tu. E quando é a imagem que me sorri. És tu. E quando procuro os teus lábios já não é a imagem que procuro. És tu. E és tu. E és tu. Só tu. Apenas tu. Tu.

20:08:2011

Dorme. A escuridão que buscas irá trazer-te o conforto de seres o que quiseres ser. E nada serás. Coberto por emoções que não surgem segues caminho. Paralelo ao teu dia-a-dia. Viverás dramas que não te tocam. Porque se não te tocam nada tens a perder. E é precisamente isso que buscas. Nada perder. Pois o medo de te desfazeres é superior ao risco de voltares a perder. Te. E nada mais podes oferecer porque mais nada há. E se te tirarem o resto irás perecer. E por isso corres atrás do sonho. Não daquele que anseias viver. Mas daquele que apenas significa estar adormecido. E nada perder. Nunca mais.

14:06:2011

Porque um dia vais ser grande. E um dia vais entender que esse dia vai chegar quando aceitares aquilo que és. E não quando colmatares as expectativas que outros criam em ti. E quando esse dia surgir tudo te será claro. E fácil. E verdadeiro. Porque serás tu. E outros olhar-te-ão. E serás tu que eles irão ver. Porque não há maior vislumbre que olhar para ti. E ver-te.

Posted June 14, 2011

10:04:2011

Nos dias que correm temos que ter cuidado com o que levamos à boca. Porque corremos o risco dessa escolha nos trespassar. Com todo o seu ácido. Espesso. Gigante. A esmagar-nos a língua. E a tapar-nos o ar. E vermelhos ficamos. Olhos baços perdidos no desespero daquilo que tão perto está. De nos engolir pela boca. Sedento de todos os mucos encalhados nas paredes dos nossos corpos. Inchados. Enormes. Veias a pulsar em uníssono. A gola aperta. E rebenta. Não há nada que pare este movimento que nos entra dentro. Pela boca. E raspa toda a carne. Crua. Embebida. E deixa o seu rasto de podridão no sabor azedo dos nossos lábios. E entra. Certo de todos e cada um dos seus movimentos que fazem por se esfregar enquanto penetram. Como que a deixar o seu cunho de podridão em nós mesmos. E se lavasse dela. E ma deixasse em mim. E em ti. Sem qualquer esperança de voltar a sentir o teu cheiro. Separados por um mundo de negrume. E bocas abertas. Em vão.

01:03:2011

Não te julgues. Merecedor de menos. Porque és mais. E porque há coisas que não se podem entender. E eu também não entendo. Porque me sinto assim. Contigo. E no entanto sinto-o. E sinto-me. Mais vivo que dantes. E se as palavras me falham perdoa-me o gesto. De tentar descrever isto. Inútil. A tarefa. Porque só eu saberei o seu tamanho. E tu. Que acreditas nas minhas ténues palavras. Sentes toda esta pujança. Não sentes? E todos os dias decido-me a desistir. De escrever. Porque cada vez mais sinto a distância. Que separa o que escrevo do que sinto. Tamanha injustiça. Relegado para a frustração de quem tenta algo dizer. E não consegue aproximar-se sequer. Palavra após palavra. Após palavra. De um único instante do teu olhar.

Posted March 1, 2011

25:12:2010

A escrita tem destas coisas. Sabe a pouco. Enrolo a língua. Movo os lábios. E respeito toda a gramática. Ou, não. E tudo certinho fica. Palavra após palavra. Filas ordenadas de curvas e contra-curvas pretas sob fundo branco. Nada podem apontar ao que escrevo. Porque está certo. E. No entanto. Irremediavelmente errado. Longe daquilo que me inspira. Sou pouco. Sou nada. Estas sílabas não convencem. Sí. La. Bas. Dissecadas em nada. Parcas. Abertas de qualquer significado que um dia tentaram ter. Orgulhosas. Confiantes que seriam suficientes para sustentar o mais pequeno pingo da emoção que sinto quando olho para ti. São tolas. Nada sabem. Não passam de artefactos. Manhas. Porque não a são. A emoção. E eu não consigo. Verbalizá-la. E esta busca. Esta procura pelo palpável. Faz-me perder o sono. Noites sós à procura da expressão. Da sílaba. Do acento. Daquele que reflicta o sentimento. Por mais breve que possa ser. Por mais tangente que se incline. Porque só esse ínfimo vislumbre. Essa sombra difusa. Daquilo que tão certeiramente me atinge. Me saciará. E anseio que a última das letras se aproxime tanto quanto possível da essência. A mais pura. Que é Amar-te. E não dá. Não existe. Não é possível. Não consigo. Fugir deste caos de frustrantes buscas. Pelo certo. Pelo arrepio. Por ti. E no fim desisto. Desisto e sinto-me absolutamente pequeno. E humilde. Por ter este privilégio. Que é estar contigo. E a emoção. Sempre arrebatadora. Sempre me ganha. E esta coisa da escrita deixa de importar. Não passam de atulhadas palavras. Porque não importa que sílabas uso. Mas sim todo o espaço que ocupam. E esse. Não tenho dúvidas. Somos nós.

12:11:2010

Não julgues que te deixo ficar para trás. Não tenhas medo. Os meus braços cresceram todo este tamanho para te rodearem de calor. O meu. E acredita em mim quando te embalo de sussurros que mal consegues escutar. Porque sabes que não precisas. Está tudo aqui. Entre nós. E o meu olhar nunca foi tão cheio como quando olhas para mim. E vou adormecer contigo aqui. Desenhando todo o teu corpo com o meu. A respiração em uníssono. É um eco daquilo que somos quando adormecemos. Crianças embrenhadas nos sonhos. E de manhã acordarão. E nada lhes trará a memória. E terão que ser tudo outra vez. Outro dia. Outra conquista fulgurante. De espadas e bandeiras. E sigo. Por onde preciso. Lanço-me. Para ti. Outra noite. Nossa. Finalmente. Assim. Juntos. E os meus braços nunca foram tão largos como o são para ti.

19:10:2010

Todos os dias eu me levanto. Escovo os dentes. Um duche para me aquecer a pele. Perfumo-me. E volto-me a deitar. Adormeço de barriga para cima. Braços fora do lençol. E nos sonhos sou esse. Sonâmbulo da vida que recuso viver. Tenho tudo. Nos bolsos carrego fragmentos de toda a minha riqueza. A vida que me passou. Ao longe. Bem perto. Tomei-a minha de um só trago. E deliciei-me com as surpresas que ela me ofereceu. E morri por dentro vezes sem conta sempre que me rasgou a fé nas pessoas. Na cara. Mas sempre voltei a ela. Enganado no olhar. Desconfiado no primeiro toque. Mas sempre regresso a ela. E sem saber o porquê volto a segui-la. Com o interesse que julguei ter perdido de vez. E o seu sorriso é o meu. E nada mais posso acrescentar a esse pedaço de mim. Porque sou-o. Absolutamente. E com a sorte de um cego. Que é como quem diz se tudo for verdade e certo. O meu sorriso será também. O dela. Absolutamente. E depois desperto. Sinto-me deitado na cama. Barriga para cima. O cabelo ainda húmido do duche. O perfume no pescoço. Os braços fora do lençol. Mas não abro os olhos. Não quero que tudo isto desapareça quando meter o primeiro pé no chão. Ninguém deve passar por esse roubo. Essa desilusão. E deixo-me ficar. Como sempre gosto fazer. Deixar-me. E então apercebo-me. De algo. Na janela um rasgo de luz intromete-se. E nela uma sombra balança. Enchendo-me o quarto de danças. E tons. E Outonos. E então. Sei-o. Estás lá fora à minha espera. E então. Simplesmente vou. Passos largos. Imensos e imparáveis. Como só sei dar quando me dirijo para ti. E assim fico. A sorrir novamente a vida nos olhos. Teus.

17:09:2010

Sem palavras. Sem nada de nada. A frase é solta. Reposta se preciso. O vazio não se estende por mais que uma sílaba. E o silêncio reina com todo o seu ruído. Sem nada saber desisto. Enrolo-me num monossílabo. E sem nada saber saio. Rompo e castro este corpo. A secura chupa-me a vontade. E desisto. O olhos vítreos lançam-se ao mar. E nada vêem. Nada desejam. Apenas o frio das ondas. A puxarem-me. E o corpo mole salga. E a espuma rebenta na minha boca. Sem palavras. E a areia afoga-me. E o remoinho lança-me. Fora. De mim. Afasto-me dele. Braços e pernas enrolados. Não são mais que ondas. Espessas. E vejo o quão perdido me encontro. E nada em mim reage. A água entranha-se. E eu faço parte dela. Nada me separa do oceano. Somos um. E sem nada saber desisto. De ser. 
E então.
A mão.
Tua.
Pega.
A mão.
Minha.
E os meus pulmões cospem toda a espuma. Toda a água preta escorre para fora de mim. E os meus olhos ganham vida. E procuram-te. E sinto-te perto. Levados por ti sorriem. Os lábios. O que antes nada era agora tudo é. E é quente e apertado. O toque. E não sei para onde me levas. E sem nada saber desisto. De viver. Sem palavras. Na boca.

09:09:2010

Cada toque. Cada passo. Cada recanto desse corpo que descubro. Entranha-se em mim. E por vezes já não sei distinguir. A tua da minha pele. Juntas no abraço. Despreocupado de quem ama.

24:08:2010

Sei o que sou. Estes olhos que se encerram não mentem. O vazio é apenas o reflexo daquilo que lhes alcança. Nevoeiros de pessoas. Figuras dúbias são só o que veêm. E sento-me. E lavo a cara. Água a gelar-me a pele. E volto a olhar. E sei o que sou. E nada. Todo o espaço entre estas palavras faz mais sentido que as curvas angulosas da provocação das mesmas. E não tens que sentir a culpa. O esforço. Vão. Porque sei o que sou. E esta é a minha natureza. Cravada na carne. Não passa de um cancro meu. Tingido por sorrisos de sangue. Salgados. E sem nada. Para dar. E engulo todo o bolo preto. Que me trespassa a garganta. E volto a sorrir. E espero-te todas as noites. Para que me devolvas a espontaneidade de criança. Porque isso morreu-me. E não tenhas tu nunca dúvidas que sei. O que sou. E isso chega-me para saber. O que és. Um monstro.

21:08:2010

Gostava dizer-te uma coisa. Gostava mostrar-te aquilo que vejo. Aquilo que toco. Aquilo que saboreio sem um pingo de hesitação como se nada mais fosse verdade que os teus lábios. Gostava conseguir dar-te um pouco da luz que tu me banhas. Que tu me aqueces. Porque assim entenderias. Sem medos ou receios. Sem dias. Sem noites. Que tu és-me absolutamente essencial. E mais nada posso fazer porque há muito desisti. De não sentir isto. Por ti. E gostava que estas palavras fossem mais do que são. E são pouco. Quase nada. Mas eu torço-as. Baralho-as. Crio-as. Do nada. Para que quando me voltares a tocar elas surjam. E que todas as letras cresçam. Plenas. Justas. E absolutamente simples. E possam todas elas dizer-te o mesmo. Que te amo.

16:08:2010

Nada me falta. Quando o respirar é perto. De ti. E não sei fazê-lo de uma outra forma. E não sei fingir isto que todos os dias me impulsiona. A ti. Porque, sabes?, há momentos em que os nossos corpos desaparecem. E ficam sombras daquilo que um dia foram certezas. Decapitados daquilo que sonhámos acreditar em tudo o que nos diziam. E chegamos a um ponto em que acreditamos em nada do que nos dizem. E aí morremos. Secos. Entranhas coladas aos ossos. Ressequidos. Olhar vazio. E assim andei. Morto. A contar os dias sem vontade. E depois surgiste-me tu. E não entendo o porquê. E isso não interessa nada. E se tudo for como dizemos um ao outro. E é. E é! Seremos deuses. E tudo o que ainda tivermos para conquistar já nosso é. E tudo o que nos surja à frente só dependerá da verdade da nossa palavra. E o resultado só dependerá da verdade do nosso gesto. O meu no teu. E o teu no meu. E é isso que me mantém assim. Neste estado de vida pura. Vivida plenamente. Como só quem acredita no impossível e o engole sem hesitar sabe. E eu sei-o, sabes?

04:08:2010

Todos os lados vão dar ao mesmo. Sítio. Seguro consigo percorrê-lo sem hesitar. Dedo a dedo. Tão certo como a respiração que dança diante de mim. O calor sacia-me. Pleno. E sei quem sou. Através desse sítio que brilha quando o sol te toca. Puro e laranja. De sucos sem fim que alimentam esta sensação do ser e do querer. Mas acima de tudo. Do saber. Quem sou. Por ti. E por tudo aquilo que partilhas. E descobres. Em mim. E sei-o. Mais do que nunca. Que todas as coisas são descrições. De ti. Apontamentos rematados no teu sorriso. E nada é por acaso quando fazemos por isso. E nada é por acaso quando o acaso somos nós que o fazemos. E tudo é. Tudo sou. Tu.